A história da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

*Adson Brito

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Localizada no sopé da histórica Ladeira do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Inaugurada no século XVIII, no ano de 1709. São 313 anos de fé e resistência! A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi construída pelos homens negros escravizados e negros livres.

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Atenção: as igrejas seculares de Salvador foram construídas pelos “escravos”, mas o destaque é que, a Rosário dos Pretos, foi construída pelos “escravos” e para os “escravos”. A construção teve ajuda financeira da Irmandade dos Homens Pretos, que arrecadavam dinheiro, para construção do templo. Como uma forma de afastar os negros das igrejas da época foi dada uma permissão para os negros construírem sua própria igreja.

A permissão para construção do templo foi assinada pelo arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide. Construída lentamente, devido às precárias condições financeiras da Irmandade, levando aproximadamente 100 anos, até sua finalização. A bela e histórica igreja mantém uma forte tradição de raízes africanas.

Inclusive, algumas de suas concorridas missas, em celebração à nossa ancestralidade africana, são celebradas ao som de atabaques, incenso, muito Axé e cânticos sagrados do povo de santo. Antes da construção da igreja, os “escravos” adoravam à Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na antiga Sé da Bahia, desde o século XVII.

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O interior do templo é decorado com azulejos portugueses. Ostenta uma decoração dourada e altares em estilo neoclássico. Em um dos altares, encontramos a imagem do santo africano, Antônio de Categeró. No fundo da igreja, encontramos o pequeno cemitério dos “escravos”. Um lugar sagrado, de reverência e culto aos nossos ancestrais pretos.

Aberto à visitação e vale muito uma visita. Na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, foi gravada a cena final do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”. Nela, Dona Flor (Sônia Braga) sai da igreja, de braços dados com seus dois maridos, Theodoro (Mauro Mendonça) e Vadinho (o saudoso José Wilker), que sai completamente nu do templo e desce o Pelô.

*Adson Brito é professor de História com formação em Psicologia e Filosofia. Texto reproduzido da página do Facebook Salvador Tem Muitas Histórias, mantida por ele.

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