Durante a realização da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), entre os dias 5 e 9 de agosto, o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) vai estar com visitação gratuita para todo o público. A iniciativa, realizada em parceria com o Instituto Motiva por meio do projeto Circuito Cultural, visa ampliar o acesso à cultura e ao patrimônio afro-brasileiro no período de maior fluxo de visitantes no Centro Histórico de Salvador.
A ação de gratuidade integra um conjunto de atividades educativas e de formação de público desenvolvidas pelas duas instituições. Entre 28 e 31 de julho, o MUNCAB recebeu centenas de crianças, jovens e educadores de creches, escolas e instituições públicas de ensino estadual, municipal e comunitárias. As visitas mediadas consolidaram o museu como um espaço de diálogo, escuta e produção de conhecimento a partir das artes visuais.
Para a diretora-geral do MUNCAB, Cintia Maria, a democratização do espaço é fundamental desde os primeiros anos de vida. “O acesso à cultura é um direito e deve começar desde a infância. A juventude e a vida adulta são momentos decisivos para a construção de repertórios e para o reconhecimento das múltiplas histórias que constituem a sociedade brasileira”, ressalta a gestora.
Exposição histórica
Os visitantes que passarem pelo MUNCAB durante a Flipelô terão a última oportunidade de conferir a exposição Inclassificáveis, que encerra sua temporada no dia 9 de agosto. Com curadoria de Jamile Coelho e Jil Soares, a mostra reúne cerca de 100 obras que retornaram à Bahia após mais de três décadas nos Estados Unidos — processo fundamentado no conceito de “rematriação”, desenvolvido pelo artista e pesquisador Ayrson Heráclito.
Dividida entre o térreo e o primeiro andar, a exposição questiona rótulos históricos do sistema de artes, como “arte popular”, “naïf” e “folclórica”. O percurso é estruturado em três núcleos curatoriais: “Restituir Sentidos – Amor, Festa e Devoção” (iniciado com o Portal dos Mensageiros, obra inspirada em J. Cunha), “Cotidianos” (com trabalhos de nomes como Babalu, Sol Bahia, Alberto Pitta e Lídia Hora) e “Escolas Invisíveis”, que homenageia a produção artística de polos como a Escola de Escultores de Cachoeira, a Escola do Pelourinho e a Escola de Artífices da Ladeira da Conceição.
Arte, memória e meio ambiente
Além da mostra principal, o público poderá visitar Padê Onã – Encontrar Caminhos, do artista Sandro Àiyé, instalada no recém-inaugurado Jardim das Esculturas. Com curadoria de Jamile Coelho, a exposição reúne sete esculturas feitas com madeiras reaproveitadas de antigos casarões do Centro Histórico.
O espaço ao ar livre integra arte contemporânea e preservação ambiental ao abrigar um meliponário dedicado a abelhas nativas sem ferrão e espécies vegetais tradicionais. Durante o festival, o público poderá percorrer ambas as exposições em um único circuito integrado.
Gerido pela Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira (AMAFRO), o MUNCAB firma-se como instituição de referência na preservação, pesquisa e difusão das artes visuais afro-brasileiras, africanas e afro-diaspóricas.


