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28 maio 2026

Alagoinhas lidera interiorização econômica e atrai aportes bilionários

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Rodrigo Resende
Rodrigo Resendehttp://vemprabahia.com
Repórter do Portal Vem pra Bahia

A economia baiana passa por uma profunda transformação geográfica, e o município de Alagoinhas consolidou-se como o maior símbolo dessa mudança. Amparada por uma localização estratégica, fartura de recursos hídricos, incentivos fiscais atraentes e investimentos em infraestrutura, a cidade atrai aportes bilionários e expande a matriz econômica muito além do consolidado setor de bebidas.

Esse fenômeno reflete uma tendência apontada pelo estudo Desconcentração Produtiva e Interiorização, do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

O levantamento mostra que a Região Metropolitana de Salvador (RMS) perdeu espaço na participação do Produto Interno Bruto (PIB) estadual — caindo de 48,3% em 2009 para 39,4% em 2021 —, abrindo caminho para o fortalecimento de novos polos produtivos no interior.

Com cerca de 151 mil habitantes, Alagoinhas possui hoje aproximadamente 2.601 empresas formais, responsáveis por mais de 6,8 mil empregos industriais. O setor fabril representa 31,34% do PIB municipal, estimado em R$ 5,7 bilhões — o 14º maior da Bahia.

Projeção

Para sustentar o ritmo de crescimento, a Prefeitura já projeta o futuro próximo. Foram delimitadas duas novas áreas que somam 1,7 milhão de metros quadrados para a expansão do parque industrial, localizadas às margens das rodovias federais BR-101 e BR-110, nas regiões de Narandiba e Boa União.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Emprego (SDEE), a expectativa é que o novo complexo comece a operar até dezembro deste ano.

Para atrair novos negócios, a gestão municipal oferece reduções de até 50% nas alíquotas de ISS e IPTU. A estratégia tem dado resultados: recentemente, o município entrou na rota da saúde com a chegada da multinacional Pion G Plus, focada em produtos médico-odontológicos, e recebeu investimentos da Otimiza Concretos, robustecendo a cadeia de construção civil.

Qualidade da água

Embora a economia se diversifique, o título de “Capital da Cerveja” segue forte. Gigantes como o Grupo Petrópolis e a Indústria São Miguel (ISM) continuam expandindo suas operações. O grande segredo local está no subsolo, de onde é extraída água com pureza excepcional.

“Esta é a melhor água com que já trabalhei em todas as fábricas do grupo. Ela é captada do subsolo e vai diretamente para as garrafas, sem necessidade de tratamento prévio”, revela Richard Coronado, gerente industrial da ISM em Alagoinhas.

A ausência de tratamento químico complexo reduz drasticamente os custos operacionais da unidade. A planta funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e gera 701 empregos diretos na região.

Atualmente, a unidade produz entre 15 e 16 milhões de litros de bebidas por mês e está instalando uma quarta linha de produção para injetar mais 5 milhões de litros mensais no mercado nordestino. Como desafio, Coronado aponta a alta rotatividade e a necessidade constante de qualificação profissional.

Óleo e gás

Desde 2015, a Nova Coating opera em Alagoinhas em um nicho de alta tecnologia: o revestimento anticorrosivo para tubos de extração petrolífera profunda (entre mil e 3 mil metros), atendendo operadoras de grande porte, incluindo a Petrobras.

De acordo com o engenheiro de produção Leandro Faleta, o tratamento aumenta a vida útil dos tubos de aço de seis meses para até três anos, gerando economias milionárias para as petroleiras. A escolha pela cidade foi estratégica.

“Aqui conseguimos atender melhor a operação do Nordeste. Estamos próximos dos campos de petróleo da Bahia e temos uma rede de hotelaria, serviços e infraestrutura que facilitam a logística”, explica Faleta.

A infraestrutura e o aquecimento imobiliário regional também impulsionam a Cerâmica Santana, presente no município desde 2004. Atraída pela qualidade da argila local e pela facilidade de distribuição para Salvador, Feira de Santana, Recôncavo e Sul do estado, a empresa fabrica 1,7 milhão de peças por mês e emprega 120 pessoas.

O administrador Leonardo Alves revela que uma segunda unidade está em manutenção e deve ser reativada no início do próximo ano, elevando a capacidade para 2 milhões de peças mensais. Contudo, Alves faz um alerta sobre a infraestrutura logística.

“O crescimento da cidade é visível, mas ainda precisamos de melhorias na malha rodoviária regional, especialmente na duplicação do trecho entre Feira de Santana e Alagoinhas”.

Mão de obra

O avanço industrial transformou o perfil socioeducacional da cidade, que hoje abriga sete escolas técnicas e sete instituições de ensino superior, incluindo graduações em Direito e Saúde.

Toda essa engrenagem conta com o suporte do Sistema FIEB. A atuação integrada do SENAI e do SESI busca resolver gargalos históricos de mão de obra especializada e segurança ocupacional.

O SENAI atua diretamente na formação técnica e em programas de menor aprendizagem, tendo viabilizado o treinamento dos novos operadores para a expansão da ISM e para as áreas de manutenção da Nova Coating. Já o SESI garante o suporte em medicina ocupacional e campanhas de saúde preventiva nas fábricas.

Renata da Purificação Pinto, gerente de Relações Institucionais da FIEB na Regional Nordeste, resume o impacto dessa sinergia: “Contribuímos tanto para a formação de mão de obra qualificada quanto para o aumento da competitividade das empresas, fortalecendo o ambiente industrial e impulsionando o desenvolvimento regional”.

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