O Governo Federal oficializou o investimento de R$ 1 bilhão, via Novo PAC, para a revitalização de bacias hidrográficas ligadas ao Rio São Francisco.
A iniciativa, financiada por recursos provenientes da desestatização da Eletrobras, contempla seis regiões estratégicas na Bahia. Embora o montante global atenda a diversas bacias do país, as ações em municípios baianos possuem um aporte estimado em até R$ 114 milhões.
Segurança hídrica
O projeto foca na recuperação hidroambiental e no fortalecimento da segurança hídrica em áreas que sofrem com a pressão ambiental e a irregularidade de chuvas. Entre as bacias beneficiadas estão as do Rio Grande, Rio Corrente, Rio Salitre, rios Paramirim e Santo Onofre, rios Verde e Jacaré, além do entorno do Lago de Sobradinho.
Ações práticas
O pacote de intervenções inclui desde a infraestrutura logística, como a implantação de um porto público em Juazeiro, até medidas de sustentabilidade no campo. Estão previstas a restauração ecológica em parceria com a iniciativa Floresta Viva (BNDES), a recuperação de pastagens degradadas em assentamentos e a implantação de “quintais produtivos”.
A gestão de dados também será reforçada: produtores e gestores passarão por capacitações para o uso de informações meteorológicas no manejo dos recursos hídricos.
Crise climática
O anúncio surge em um momento crítico. Dados do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), confirmam a recorrência de estiagens severas no estado.
O avanço do assoreamento e a degradação de nascentes têm reduzido a disponibilidade de água para o consumo humano e para a agropecuária.
Para Lia Dugnani, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Grande, os recursos validam esforços que já ocorrem no campo.
“Hoje, sustentabilidade e produção caminham juntas. Esses investimentos ajudam a ampliar iniciativas que favorecem a produção de água e a competitividade do agro regional”, afirma.
Impactos
No semiárido, a expectativa é de sobrevivência. Almacks Carneiro, presidente do CBH Salitre, destaca que a revitalização é uma questão de dignidade social: “Estamos falando de abastecimento humano e da permanência das famílias no campo em regiões que dependem diretamente da água”.
Já nas bacias dos rios Verde e Jacaré, o foco será conter o desmatamento e o uso intensivo do solo. Paulo Neiva, presidente do comitê local, reforça que “a proteção das margens e o monitoramento têm impacto direto na qualidade da água”.
Desde 2023, o governo federal afirma ter aprovado 250 ações de revitalização no país, somando R$ 5,2 bilhões. O cronograma detalhado das obras na Bahia ainda aguarda divulgação oficial.


