Com o desafio de aliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, foi lançado em Ilhéus o projeto “Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável das paisagens agroflorestais cacaueiras”. A iniciativa foca no fortalecimento do sistema cabruca — cultivo do cacau sob a sombra de árvores nativas — como estratégia central para reverter a degradação do bioma no Sul da Bahia.
O projeto é executado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), via Ceplac, com apoio técnico da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). O financiamento provém do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), com parceria operacional da Sitawi Finanças do Bem.
Metas e inclusão
O programa prevê beneficiar 3.000 produtores na Costa do Cacau. Um dos pilares é a equidade social: 50% das oportunidades serão destinadas a mulheres e jovens. Segundo Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, o modelo é um exemplo de “conservação produtiva”.
“A iniciativa representa uma prioridade global alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para deter a perda de biodiversidade e aumentar a renda de pequenos produtores”, afirma Meza.
Impacto ambiental e econômico
As metas estabelecidas para a região são robustas e buscam impactos de longo prazo:
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Restauração: 12 mil hectares de sistemas cabruca recuperados.
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Gestão Ambiental: melhoria em 203 mil hectares de Áreas de Proteção Ambiental (APAs Pratigi e Baía de Camamu).
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Clima: mitigação de 3,72 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
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Renda: aumento de 30% no faturamento das famílias através do acesso ao mercado de cacau premium.
Tecnologia e governança
Para garantir a viabilidade econômica, o projeto introduz inovações como o uso de blockchain para rastreabilidade total da amêndoa e a criação da Escola do Cacau, voltada à formação técnica. Também está prevista a implantação de um Centro de Inteligência Territorial (CIT) para monitoramento da biodiversidade em tempo real.
Thiago Guedes, diretor da Ceplac, ressalta que o modelo é um ativo estratégico.
“Estamos conciliando produção de alimentos com o enfrentamento das mudanças climáticas, posicionando a agricultura familiar e a juventude no centro da inovação”, conclui.


