A mística do “Terno das Almas”, histórico ritual de fé mantido por moradoras da vila de Igatu, na Chapada Diamantina, atravessa as fronteiras do sertão para aportar em Salvador. A partir deste sábado, 28, o ME Ateliê da Fotografia, no Santo Antônio Além do Carmo, recebe a exposição homônima que reúne 16 artistas do Brasil e dos Estados Unidos. Sob a curadoria do fotógrafo Reinaldo Giarola, a mostra utiliza a arte para perpetuar os cânticos e a estética visual da procissão serrana.
Composta por fotografias e expressões de artes plásticas, a coletiva apresenta obras inéditas que exploram a simbologia do ritual, como os lençóis brancos e a cruz de Cristo bordada nas vestes.
A exposição é um desdobramento de um movimento de resistência cultural: após 23 anos de silêncio, o Terno retomou suas atividades em Igatu em uma quarta-feira de cinzas, voltando a ocupar becos e trilhas em devoção às “Santas Almas Benditas”.
Memória e resistência
O curador Reinaldo Giarola acompanhou as duas últimas décadas dessa retomada. “Com o esvaziamento das Lavras Diamantinas no século passado, as manifestações foram desaparecendo. Mergulhei no tema para registrar a evolução desse movimento necessário”, explica.
Para Mário Edson, anfitrião do ateliê e um dos artistas expositores, a mostra é um convite à escuta do território sacro. “Cada obra nasce do encontro entre presença e respeito, entre a luz rarefeita das noites de procissão e a densidade simbólica desse patrimônio”, afirma.
O elenco de artistas inclui nomes como Ana Kruschewsky, Giácomo Mancini, a norte-americana Gelaryn Shukwit e Vini Chapada, entre outros. A exposição fica em cartaz até 26 de abril, com visitação de sexta a domingo.
SERVIÇO
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O quê: Exposição “Terno das Almas”.
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Onde: ME Ateliê da Fotografia (Ladeira do Boqueirão, Santo Antônio Além do Carmo).
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Quando: Vernissage para convidados (27/03); Aberta ao público de 28/03 a 26/04.
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Visitação: Sexta a domingo, das 16h às 19h.
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Entrada: Gratuita.


