A noite da última quinta-feira, 2, transformou o cenário urbano de Serrinha em um rio de luzes e devoção. A tradicional Procissão do Fogaréu, um dos ritos mais antigos da zona turística Caminhos do Sertão, completou 96 anos de existência, atraindo um contingente de 25 mil fiéis entre moradores e turistas.
O evento, que desde 2019 ostenta o título de Patrimônio Imaterial da Bahia, reafirma o município como destino obrigatório para o turismo religioso católico no estado.
As celebrações, que contaram com o apoio da Secretaria de Turismo (Setur-BA), tiveram início logo cedo. Pela manhã, a Missa dos Santos Óleos preparou o espírito dos devotos. Já ao anoitecer, a Missa da Ceia do Senhor deu o tom solene que precedeu a encenação da Paixão de Cristo.
O espetáculo, encenado por artistas da própria comunidade, serviu de preâmbulo para o momento mais aguardado da noite.
“É uma manifestação que une gerações. Ver o mar de velas subindo a colina é a prova de que a nossa fé permanece viva e pulsante no coração do sertão.” — Devoto local, presente na celebração.
CAMINHADA DA LUZ
O ponto alto da manifestação teve início nas escadarias da Catedral de Serrinha. Sob um silêncio respeitoso, quebrado apenas por cânticos e orações, os fiéis acenderam suas velas, simbolizando o início do sofrimento de Jesus. O percurso de cinco quilômetros desafiou o fôlego dos peregrinos, mas não a sua fé.
O destino final foi a Colina de Nossa Senhora Sant’Ana. Do alto, a vista da procissão serpentando pelas ruas da cidade reforçou a magnitude do evento, que hoje é um dos principais pilares do calendário cultural e econômico da região.


