Mais um ano sem a Lavagem do Bonfim…

Adson Brito*

Mais um ano, os baianos e turistas não acordaram de branco, em reverência ao santo de maior devoção popular da Bahia: Nosso Senhor do Bonfim.

Relembre como foi a última Lavagem do Bonfim ainda sem pandemia, em 2020

Antes da pandemia, a festa já começava cedo em cada bairro, onde as pessoas, vestidas de branco, já tomando uma gelada na quitanda de dona Maria, e com a latinha de cerveja na mão, seguiam rumo à colina sagrada. E a pé.

Como prega o mantra baiano; “Quem tem fé, vai a pé!”

No percurso, sempre os amigos se encontram, param para uma rodada da loira gelada, no buteco de seu Zé.
E a caminhada continua, ao som do batuque, afoxé, das marchinhas de antigos carnavais…O que tocar o povo dança no trajeto: samba, reggae, rock…, e se duvidar, até tango! A Bahia é assim: irreverente.

Fico aqui pensando, se rolasse a Lavagem do Bonfim, a música mais tocada seria a “Cabeça Branca”. E na Bahia, a Festa do Bonfim, muitos só voltavam, como se diz por aqui, “no lixo”! E ninguém reclamava do cansaço, e aquela vovó de 98 anos, que durante o ano todo, se queixava de artrose, artrite…, subia Colina Sagrada, bem feliz da vida.

Milagres e mistérios da Velha (e boa) Bahia!

A tradicional festa e lavagem, tem início no século XVIII, no ano de 1773. Surgiu quando integrantes da “Devoção do Senhor do Senhor Bom Jesus do Bonfim”, convocava negros escravizados para a lavagem e ornamentação da igreja, que sediaria os festejos em homenagem ao Senhor do Bonfim.

A arquidiocese de Salvador proibiu a lavagem no interior da histórica Basílica do Bonfim, e só permitindo a lavagem do adro e das escadarias. Baianos e turistas, católicos e o povo de santo saiam da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, rumo à Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, em celebração, onde se mistura o sagrado e profano.

Esqueci de falar do tradicional “churrasquinho de gato”! E da velha feijoada, vendida nas barraquinhas.

O cortejo das baianas com suas vassouras e águas de cheiros, é um dos momentos mais bonitos da festa. Mas o ano que vem, em 2023, viveremos tudo novamente. Apesar de que, não curto mais festas de largo, mas aqui vai o recado para “dona pandemia”, que já estará morta e sepultada: nos aguardem! Será a vingança dos baianos rsrs.

*Adson Brito é professor de História com formação em Psicologia e Filosofia. Texto reproduzido da página do Facebook Salvador Tem Muitas Histórias, mantida por ele.

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