Mergulhadores e turistas já podem ver ferry afundado

Turistas e mergulhadores já podem adentrar o mar da Baía de Todos-os-Santos para ver o ferry-boat Agenor Gordilho e o rebocador Vega, que passaram pelo processo de afundamento controlado. As duas embarcações juntam-se a outros cerca de 20 pontos de naufrágio e levarão Salvador a se tornar um dos quatro melhores destinos do turismo de mergulho na América Latina, ao lado de Abrolhos, também na Bahia, e Fernando de Noronha e Recife, em Pernambuco.

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O processo de naufrágio foi capitaneado pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur), com o objetivo de fomentar o turismo de mergulho. “Estamos dando mais visibilidade ao potencial da Baía de Todos-os-Santos para o turismo náutico, justamente no momento da realização de intervenções feitas por meio do Prodetur Bahia para valorizar os municípios da zona turística banhada pelo mar da maior baía do litoral brasileiro”, explica o secretário Fausto Franco.

Mergulho – De acordo com Igor Carneiro, presidente da Associação dos Mergulhadores da Bahia, durante o final de semana foram feitas inspeções em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, quando foi verificado que as estruturas das duas embarcações estão íntegras e seguras para o mergulho e sem nenhum vestígio de contaminantes.

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Profissionais de centros de mergulho da Bahia também estiveram nos locais e já poderão levar visitantes. Ainda segundo Carneiro, o acesso à área deve ser feito exclusivamente na companhia de profissionais certificados e também haverá fiscalizações da Marinha do Brasil em embarcações específicas para a oferta desse tipo de serviço.

O ferry-boat Agenor Gordilho, de 800 metros de extensão, com nome do empresário baiano e presidente do conselho da Companhia de Navegação Bahiana, morto em 1969, demorou 26 minutos para afundar e está a uma profundidade máxima de 34 metros. Já a 30 metros da superfície está o rebocador Vega, cujo procedimento para submersão durou apenas 20 minutos.

O naufrágio assistido de embarcações propicia a formação de recifes artificiais, favorecendo o habitat marinho e se convertem em atrativo para visitantes, mergulhadores profissionais e estudiosos. A previsão é de que em um ano a embarcação esteja repleta de vida marinha. A Marinha do Brasil, as secretarias do Meio Ambiente (Inema), Infraestrutura (Agerba) e Administração (Patrimônio) contribuíram com a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) para a oferta dos novos atrativos na Baía de Todos-os-Santos.

A visitação ao Agenor Gordilho de maneira mais aprofundada é possível de ser feita, mas não é tão simples. Isso porque ele está submerso a uma profundidade entre 18 e 36 metros (se considerarmos a altura dele), o que exige equipamentos e cursos preparatórios para realizar o mergulho de maneira segura. O diretor da Bahia Scuba, Gilson Galvão, conhecido como Tuca, explicou que mergulhos desse tipo exigem um curso inicial de openning water, que é um tipo de mergulho de até 18 metros de profundidade.

Nele, o aluno terá entre uma a duas semanas de aulas com teoria em sala, além de provas e mergulhos de treinamento que lhe darão um certificado de mergulhador básico. Esses cursos custam, em média, de R$ 2 mil a R$ 2,5 mil, segundo Tuca, que é também instrutor trainer da Scuba Schools International (SSI) e vice-presidente da ABCMAR (Associação Brasileira de operadores, escolas e centros de mergulho recreativo).

Depois desse certificado, é preciso fazer cursos avançados que trabalhem especialidades como naufrágio, mergulho profundo e o uso de nitrox (equipamento usado em mergulhos mais profundos). Essas especializações vão preparar o mergulhador para ambientes de pouca luz, com restrição de espaço e que tenham teto, para caso a pessoa queira explorar o navio também por dentro. O preço dessas especializações tem um grau maior de variação, segundo Tuca: R$ 800 a R$ 2,5 mil.

Para os que querem conhecer o novo “santuário de vida marinha”, como definiu Tuca, de uma maneira mais distante, existe também o mergulho de batismo, para profundidades de até dez metros.

“Esse tipo de mergulho é acompanhado de instrutor, para locais de baixa profundidade, bem abrigados e sem correnteza”, explica Tuca. Esse curso tem uma média de custo entre R$ 300 e R$ 600.

Apesar do afundamento inédito do ferry, Igor Carneiro conta que a costa de Salvador tem mais de 20 embarcações disponíveis para visitação. “Nós temos um verdadeiro sítio arqueológico em nossa costa, com embarcações mais antigas, como o Galeão Sacramento, datada do século XVII”, diz. Igor também conta que os trâmites para o afundamento do Ferry Juracy Magalhães também já vão ser iniciados. A iniciativa é importante para abrir espaço para o turismo náutico na cidade. “A partir do momento que o ferry deixa de ser entulho e vira um berçário de vida marinha, abre precedente nacional grande para criação de recifes artificiais. Ele incrementa a qualidade marinha do local e faz com que mergulhadores certificados desfrutem de momentos de lazer”, opinou Tuca.

Contato Bahia Scuba:
Cel: (71) 99975.3839
Instagram: @bahiascuba

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