Festa de Iemanjá, dia 2 de Fevereiro, em Salvador

Festejada durante toda esta sexta-feira (2) com alvorada de fogos, doação de presentes e oferendas, a rainha das águas – Iemanjá – atrai devotos, baianos e turistas ao bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Um roteiro festivo que se divide entre o espiritual e o profano faz a alegria de milhares de pessoas.

O movimento começou às 5h30, quando se formava fila de devotos conduzindo os presentes que, logo mais, após às 15h, serão juntos conduzidos ao mar, num ritual que se repete há quase um século. De acordo com historiadores, a festa existe desde 1923.

Os principais hotéis do bairro estão cheios de turistas que vieram conhecer ou rever esta que é uma das principais manifestações com origem nas religiões de matrizes africanas, na capital baiana. O casal Sidney Coelho e Mônica Gonnet veio de Santa Catarina para conhecer a cidade e a festa. “Já sabíamos da fama da festa e estamos achando maravilhosa”, disse Mônica.

O casal de advogados Carlos Neto e Carolina Rocha veio de Fortaleza para participar das comemorações à deusa do mar. “Acho impressionante estar neste espaço, na mesma energia das pessoas”, afirmou Neto, que, assim como a esposa, é iniciado em religião de matriz africana. “Vou voltar pra casa mais apaixonada pela Bahia”, disse Carolina. “Nos casamos recentemente e viemos pedir para que a gente tenha uma vida feliz juntos”, revelou.

As oferendas para Iemanjá, Rainha do Mar. Foto: Paulo Fróes

Estrangeiros

Havia também uma boa presença de estrangeiros entre a multidão. A estudante Lena Rothe, 22 anos, veio sozinha de Dresden, na Alemanha, para conhecer Salvador e a festa de Iemanjá. Na fila para entregar uma flor, ao lado de um amigo baiano, estava achando a festa “maravilhosa, surpreendente”.

Já o músico Franck Soube, de Bordeaux, na França, é tão fascinado pela festa que participava dela pela 17ª vez. “Gosto de vir pela manhã, porque é mais espiritual. À tarde é outra festa, mais profana, mas eu gosto também”, afirmou. Pesquisador de ritmos baianos, ele está lançando o CD ‘Os Deuses Dançam’, no qual mostra seu olhar francês para a ancestralidade do candomblé. Ele vai ficar também para o Carnaval, quando desfilará com o afoxé Os Filhos de Korin Efan.

Rio Vermelho tomado por dança, rituais, espiritualidade e muita devoção. Foto: Paulo Fróes

História

Registros das celebrações à Rainha do Mar na Bahia datam de 1923, depois que pescadores, inconformados com um período de pouca fartura no mar, jogaram presentes nas águas para que a orixá revertesse a situação. Depois disso, a pesca foi abundante.

A Festa de Iemanjá, dia 2 de Fevereiro, começa bem cedo, ainda na madrugada. Foto: Paulo Fróes

As cores branca e azul, correspondentes à deusa do mar, predominam nas vestes dos transeuntes do Rio Vermelho no dia de Iemanjá. Nas ruas e praças, artistas realizam performances, e blocos de ativistas desfilam, sempre em nome da rainha das águas. A festa é organizada pela Colônia de Pesca do Rio Vermelho.

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